Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Leitura 03/08/2012



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800 mil mortes anuais por causas respiratórias e cardiovasculares são atribuídas à poluição no mundo

Equipe SPPT / Departamentos

Especialista da SPPT lamenta falta de uma política pública consistente e diz que projeto Controlar da Prefeitura de São Paulo deverá ter tem impacto discreto na qualidade do ar da cidade

Não é novidade que o ar poluente nos grandes centros afeta drasticamente a saúde da população. São Paulo, por exemplo, é a 5º metrópole mais poluída do mundo, segundo estudo do Centro de Informações e Pesquisa Atmosférica da Inglaterra, que analisou as 20 metrópoles com a pior qualidade do ar, adverte o dr. José Eduardo Delfini Cançado, Presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

O resultado é que um grande número de mortes que é relacionado a esse problema de saúde pública: “Das 55 milhões de mortes que ocorrem em todo o mundo anualmente, 800 mil têm como causa em males respiratórios e cardiovasculares diretamente ligados à poluição”, explica dr. Ubiratan de Paula Santos, presidente da Comissão de Doenças Ambientais e Ocupacionais da SPPT.

No que diz respeito às doenças pulmonares exarcebadas ou induzidas pela poluição, as que mais geram procura por atendimento médico e que são responsáveis por internações e óbitos, são a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma brônquica, pneumonia e o câncer de pulmão. Dr. Ubiratan alerta para a necessidade de se manter atento a pneumonia, que por diminuir as defesas, aumenta as chances de contrair infecções respiratórias.

Na capital paulista, a estimativa do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP é de 9 mortes diárias por doenças respiratórias e cardiovasculares relacionadas à poluição. Em dias com alta contaminação do ar, o número sobe de 12% a 17%, com o crescimento de 25% nas internações – principalmente de idosos e crianças. Quem mora em São Paulo, aliás, vive em média um ano e meio a menos do que aqueles que moram em cidades de ar mais saudável.

Entre as substâncias nocivas presentes no ar, a mais estudada é o material particulado, composto por uma mistura de metais e partículas inorgânicas e orgânicas, entre outros, e que é o único poluente ambiental, até o momento, associado ao câncer de pulmão.

Vale registrar que a legislação nacional obriga o monitoramento dos níveis dos gases ozônio, dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e monóxido de carbono. “Mas o limite imposto pelas leis brasileiras ainda é muito superior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”, enfatiza dr. Ubiratan.

A OMS alerta que, se os países adotassem medidas sérias para melhorar a qualidade do ar, cerca de 8 milhões de vidas seriam poupadas em todo o mundo até 2020.

Inspeção veicular em SP


A Prefeitura de São Paulo iniciou recentemente o Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso - I/M, com o intuito de manter a frota regulada e em bom estado. A medida visa, entre outros pontos, à melhoria da qualidade do ar e da saúde da população. Veja o que a SPPT acha da iniciativa:

“Ainda é cedo para ter uma visão abrangente, mas podemos afirmar que é uma medida complementar, pois seu impacto deverá ser pequeno na melhoria do ar paulistano em decorrência do grande número de veículos em circulação na cidade diariamente. Outras ações deveriam ser tomadas, como a implantação de um transporte público de qualidade que reduzisse a frota atual circulante”, comenta o dr. Ubiratan.

No caso da inspeção veicular, hoje atinge somente carros fabricados a partir de 2003. “Não temos informações suficientes se a estratégia de postergar a avaliação de veículos mais velhos dará melhores resultados do que a medida atual. O que é importante frisar é que mesmo com toda frota regulada e conservada, ela ainda estaria muito acima da capacidade de São Paulo, e como disse, os efeitos são praticamente nulos”, completa o dr. Ubiratan.

De acordo com o relatório de 2006 da CETESB, o Estado de São Paulo possui 40% da frota motorizada de todo o país. Deste total, 55% têm idade superior a 10 anos. Isso colabora para a taxa de 97% de monóxido de carbono liberado na atmosfera do escapamento dos veículos.
 

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