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Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Leitura 03/08/2012



Notcias

Paciente de fibrose cstica chega fase adulta e requer ateno especial


Inimaginável até algumas décadas atrás, hoje o paciente ultrapassa a barreira da infância graças aos avanços da medicina.

Até pouco tempo atrás, a fibrose cística era uma doença que atingia exclusivamente pacientes pediátricos. Na década de 50, a sobrevida destes pacientes não passava do primeiro ano de vida, revela a organização norte-americana Cystic Fibrosis Foundation (CFF). Já em 1980 houve um grande avanço, elevando a idade para 18 anos. De lá para cá, os avanços são cada vez maiores. As últimas estatísticas, de 2008, já passavam dos 37 anos de idade, e hoje já se fala em algo em torno dos 40 anos.

Este aumento da expectativa de vida se deve principalmente ao avanço da medicina, dos tratamentos e, sobretudo, dos métodos de diagnóstico, cada vez mais precisos, que permitem início do tratamento precoce.

Hoje, não são raros os casos de adultos portadores do mal, beneficiados por todos estes avanços. Há, ainda, casos diagnosticados somente na idade adulta. São pacientes portadores de formas mais brandas e sintomas bastante inespecíficos, geralmente restritos ao sistema respiratório, que demoram a ser descobertos.

“Estes casos são diagnosticados, hoje, por conta do avanço da medicina e dos diversos estudos sobre a doença em todo o mundo. Mas ainda é possível encontrar pacientes que até chegar à confirmação do diagnóstico de fibrose cística passaram por diagnósticos equivocados de asma, pneumonia, infecções ou outras doenças pulmonares”, revela a dra. Mônica Corso, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

Por conta de todos estes avanços, a rotina do médico pneumologista vem sofrendo grandes alterações. Hoje estes profissionais acompanham o paciente no enfrentamento de situações típicas da vida adulta, como a gestação ou as doenças crônicas.

“Como os pacientes dificilmente chegavam à adolescência, estas situações não existiam. Mas hoje, com o diagnóstico cada vez mais precoce, e suporte terapêutico mais eficaz, estas situações estão cada vez mais frequentes”, analisa.

Fibrose Cística

A fibrose cística (FC) é uma doença transmitida geneticamente, que faz com que os pacientes tenham reduzida quantidade de água nas secreções dos brônquios, tornando-as espessas e mais aderentes às paredes brônquicas. Com isso, os pacientes têm recorrentes infecções no aparelho respiratório.

A doença também pode bloquear os dutos do pâncreas, impedindo a chegada das enzimas digestivas aos intestinos. As consequências são excesso de gordura nas fezes, desnutrição, diarreia crônica e perda acentuada de peso.

Menos frequentemente, outros órgãos além dos pulmões e pâncreas podem ser comprometidos.

Uma das principais características do paciente com FC é o suor mais salgado do que o normal, fazendo com que o paciente pareça ‘salgado’ ao ser beijado, por exemplo.

FC no adulto x FC na infância

A fibrose cística pode ser dividida em dois grandes grupos. O primeiro, diagnosticado ainda na infância, é geralmente o mais grave. Com sintomas respiratórios e gastrointestinais, quanto mais precoce o tratamento, melhor.

A doença é diagnosticada mais tardiamente quando se trata de sua forma mais branda. Assim, pacientes com sintomas apenas respiratórios, acabam tendo seu diagnóstico postergado e confundido com outras doenças respiratórias. Este atraso no diagnóstico leva a um desgaste do doente, obrigado às vezes a passar por vários especialistas diferentes e realizar exames desnecessários. A partir da confirmação da FC, o paciente recebe tratamento que permite melhorar sua qualidade de vida.

“Qualquer que seja o caso, uma vez diagnosticado é muito importante o acompanhamento médico e o tratamento contínuo. Mesmo os casos mais brandos, diagnosticados tardiamente, podem se agravar ao longo dos anos chegando a um quadro pulmonar grave, como uma insuficiência respiratória crônica”, alerta dra. Mônica.

Avanços nos tratamentos


A FC é uma única doença, resultante de mais de 1500 mutações diferentes. Ou seja, a cada paciente mudam os sintomas e também a forma como ele deve ser tratado.

Hoje, explica a dra. Marina Buarque de Almeida, basicamente são tratados os sintomas na tentativa de minimizar as suas repercussões e melhorar a qualidade de vida do paciente. Mas em breve, por meio de testes genéticos, que já permitem determinar quais os tipos de mutação, os tratamentos focarão na tentativa de reverter os defeitos nas proteínas, evitando assim o surgimento dos sintomas.

“Muitos medicamentos já vem sendo testados para diversas mutações. Alguns destes experimentos, inclusive, estão em fase avançada, prestes a ser comercializados. Isso representará, em um futuro não muito distante, uma grande revolução no tratamento da fibrose cística”, afirma.

Alerta aos médicos


Com todas estas mudanças, é muito importante que os profissionais da saúde estejam atentos à possibilidade de se deparar com um portador de fibrose cística.

“Não se pode mais considerar a fibrose cística como exclusiva da pediatria. Hoje, a conduta ideal é, diante de um paciente com bronquectasias, que é a presença de dilatação brônquica nos pulmões, investigar a fibrose cística”, explica a dra. Mônica.

Segundo ela, ainda que as bronquiecstasias possam ser causadas por uma série de doenças, é preciso aumentar o grau de suspeita para a FC.

Data da criação: 04/04/2012 

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