Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Leitura 03/08/2012



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Laringotraqueomalácia: mal transitório que acomete os prematuros

Departamentos/Equipe SPPT

Segundo dados do Departamento de Informática do SUS (Datasus), as doenças respiratórias foram a maior causa de internação em UTI neonatal em 2006. Entre elas, está a laringotraqueomalácia. Trata-se de um mal que, além de acarretar persistente dificuldade na respiração, tem como sintoma o estridor, que é um tipo de chiado diferenciado dos quadros de asma e bronquite. É facilmente perceptível e se torna mais alto quando a criança chora e/ou no momento em que está mamando, ressalta o dr. José Eduardo Delfini Cançado, Presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

Caracterizada pela má-formação ou instabilidade da cartilagem que sustenta as vias aéreas centrais (laringe e traquéia) ou ramificadas (brônquios), a patologia pode ser congênita ou adquirida em certas circunstâncias, como em casos de bebês prematuros ou que já apresentaram algum problema cardiorrespiratório preexistente, de acordo com a pneumopediatra da SPPT, dra. Marina Buarque de Almeida.

“Ficar intubado ou sob ventilação artificial por tempo prolongado é outro fator que pode fazer o bebê desenvolver laringotraqueomalácia”.

Dra. Marina afirma ainda que essas alterações aparecem nos bebês pequenos  e, dependendo da gravidade do quadro,  podem ser imperceptíveis, pois se trata de uma doença relacionada à imaturidade biológica da criança que tende a acabar gradualmente conforme vai crescendo.


 “A maioria apresenta grau leve no diagnóstico sem necessidade de tratamento. A tendência é desaparecer com o crescimento porque a sustentação da cartilagem amadurece no decorrer dos dois primeiros anos de vida, ficando melhor estruturada; então o problema deixa de existir”.

Para os casos de menor gravidade, a diretora do Departamento de Endoscopia Respiratória da SPPT, dra. Viviane Rossi Figueiredo, aconselha uma orientação preventiva dos pais.

“Eles precisam ter consciência de que o filho apresentará sintomas ausentes nos outros bebês, por isso damos orientação com relação à amamentação ou alguma infecção respiratória que a criança possa desenvolver”.
A prevalência dos sintomas e a necessidade de tratamento, que pode ser cirúrgico ou endoscópico, dependem do grau de instabilidade da cartilagem. Segundo a dra. Viviane, existem crianças que precisam ser submetida a esses procedimentos, mas são a minoria.

Quando a instabilidade atinge somente os brônquios, o quadro clínico do paciente pode evoluir com atelectasia e colapso de parte do pulmão devido ao acúmulo de secreção. Dra. Marina relata que essas alterações nos brônquios são detectadas na radiografia, por meio da broncoscopia ou endoscopia respiratória.

“Conforme o local acometido, o tratamento é feito com a ajuda da broncoscopia, por meio de pequenas correções cirúrgicas ou introdução de próteses que mantém a via aérea permanentemente aberta, enquanto a criança cresce e ganha a própria sustentação”.

Devido ao suporte em UTI (intubação, ventilação artificial) que necessitam durante a fase mais crítica da laringotraqueomalácia, os pacientes prematuros podem apresentar seqüelas como estenoses e alterações nas vias aéreas. Porém, a inexistência dessa assistência dificulta a sobrevivência dessas crianças.

Dra. Viviane argumenta que a própria tecnologia aumenta a prevalência dos distúrbios neonatais, pois possibilita que bebês cada vez mais prematuros sobrevivam, por meio dos recursos das UTIs.

“Quanto maior a tecnologia no atendimento à criança nascida prematuramente, mais alto são os índices, prevalências das doenças”.
 

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