Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Leitura 03/08/2012



Notícias

A prática esportiva em grandes altitudes

Departamentos / Equipe SPPT

Quanto mais alto o local, menor a oxigenação do sangue e maiores os riscos

A interferência de altitude no rendimento físico é sempre muito comentada no futebol. Jogadores e torcedores frequentemente atribuem a ela os resultados insatisfatórios em países como Bolívia ou Colômbia. Especialistas confirmam que o problema é real e oferece riscos importantes. Os efeitos vão desde um leve cansaço até o desenvolvimento de edema pulmonar. O risco,vale registrar, não é apenas para jogadores, mas para qualquer pessoa submetida a grandes diferenças de altitude, adverte o dr. José Eduardo Delfini Cançado, Presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

Quanto mais alto o local, mais baixa a pressão exercida pelo ar. O oxigênio, por sua vez, tem diminuição proporcional à pressão. Traduzindo: quando alguém se desloca a um lugar mais alto, apresenta queda de oxigênio no sangue e o organismo pode acusar relevantes alterações. Dessa forma, quando expostos ‘a grandes altitudes, na dependência da idade, do condicionamento cardiovascular e muscular e da existência de doença prévia, os indivíduos podem apresentar desde pequena sensação de desconforto, dificuldade para respirar até um quadro grave de edema pulmonar.

“Um efeito corriqueiro é o edema no pulmão, que pode ocorrer quando se está a mais de 3.400 metros de altura. A falta de oxigênio faz com que os vasos do pulmão deixem sair líquido; o pulmão, então, fica encharcado e a pessoa precisa ser internada”, alerta o dr. José Roberto Jardim, pneumologista da SPPT.

A falta de ar é outra reação comum entre atletas e turistas que se descolam eventualmente para áreas mais altas. Quando o nível do oxigênio no sangue cai, há um estímulo do centro respiratório para respirar mais, provocando aumento na freqüência respiratória e a sensação de cansaço.

Ainda segundo o dr. Jardim, a quantidade reduzida de oxigênio também interfere no funcionamento do músculo. Nesse caso, o esportista sente mais o impacto. “Para mexer o braço, por exemplo, é preciso consumir energia, processo que envolve a produção de ATP. Mas, com pouco oxigênio, não é possível produzir essa substância em quantidade suficiente e o excesso de energia necessária produz como subproduto o ácido lático, tendo como efeito prático a queda de rendimento”.

Todos esses problemas, entretanto, não são sentidos por quem vive nas regiões de grande altitude. De acordo com o dr. Jardim, não se sabe ainda o mecanismo responsável por isso, mas as pessoas que nascem nesses locais se adaptam e não tem tendência maior a adquirir doenças respiratórias.

Mitos e Verdades


A despeito de ser associado à diminuição de efeitos da altitude, medicamento indicado para disfunção erétil não tem recomendação fisiológica, segundo o dr. Jardim, diferentemente de boatos que ganharam corpo na mídia às vésperas do último jogo entre Brasil e Equador.

“Com o nível de oxigênio baixo, as artérias do pulmão se fecham um pouco, dificultando a passagem de sangue. Como o medicamento é um dilatador das artérias do pulmão, fizeram essa associação. Mas não há comprovação que este fármaco tenha alguma ação em indivíduos normais, funcionando só para quem tem distúrbios respiratórios específicos”.
 

Voltar

© 2017 www.sppt.org.br - Este site é mantido pela Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia
O conteúdo publicado neste site possui caráter meramente informativo. as informações aqui publicadas não devem ser usadas para a execução de diagnósticos, procedimentos ou tratamentos sem prévia orientação médica.
Consulte sempre o seu pneumologista.

Itarget