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Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Leitura 03/08/2012



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Quando as queimadas iro cessar?


E, falando em determinações legais, em 2001, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, prorrogou o prazo de uma lei que obrigava a extinção das queimadas até 2008. De acordo com a nova determinação, aprovada por decurso de prazo, ou seja, sem ser adequadamente votada, as áreas mecanizáveis (relativamente planas e maiores do que 150 hectares) devem parar as queimadas até o ano de 2021. Já as áreas menores e com declividade, ou seja, as não mecanizáveis, tem prazo estendido até 2031. Essa lei determina também que a extinção deverá ser escalonada, de maneira que há metas anuais de diminuição de queimada. Para 2006, a redução deverá ser de 20%.

"O prazo é longo demais", acredita o Dr. Cançado, que afirma que a lei se contradiz, pois determina que a ela própria deve ser suspensa, caso seja demonstrado que há prejuízos graves para o ambiente ou para a saúde. "O problema é que quando foi publicada, já havia estudos comprovando os graves problemas de saúde que as queimadas causam".

Dr. Cançado relata que os grandes produtores já estão conscientes da necessidade de parar de queimar. O problema ainda são os pequenos, cujas áreas não são mecanizáveis. Ele acredita que estes produtores deveriam ser obrigados a substituir o cultivo ou, caso sejam desenvolvidas máquinas que contemplem os terrenos menores, utilizá-las. Neste caso, nem mesmo o preço das novas máquinas pode ser colocado como barreira, pois há grandes cooperativas que poderiam se unir para adquiri-las.

O setor, aliás, é um do mais fortes do país. O Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo e o álcool tem excelente valorização na economia nacional e mundial, com comercialização com o Japão e possibilidades de exportação para a Alemanha.

Regionalmente, os usineiros têm muita influência. Diversas cidades do interior de São Paulo estão intensamente envolvidas com a plantação da cana e com toda a indústria relacionada a ela. Em alguns casos, a relação chega a ser de dependência. Em Piracicaba, por exemplo, entre 60 e 70% da economia giram em torno do setor.

Dr. Cançado lembra que o problema é grave e precisa de uma solução. "Felizmente, cada vez mais se fala sobre isso. Aos poucos as pessoas estão sendo sensibilizadas e começando a cobrar. Têm ocorrido várias ações públicas em cidades do interior, como Ribeirão Preto, Franca, Jaú, Piracicaba, Santa Bárbara. Todas têm evidência científica mostrando que as queimadas fazem mal à saúde e que têm que acabar".

À população, freqüentemente se apresentam as contribuições da exportação de produtos como açúcar e álcool para a economia brasileira. Deixa-se de lado, porém, os gastos atuais e futuros com o adiamento de soluções para problemas como o das queimadas.

A tese do Dr. José Eduardo Delfini Cançado evidencia que os poluentes têm causado inúmeras internações e, conseqüentemente, altos gastos para o Sistema Único de Saúde. Porém, por serem efeitos indiretos da queima da cana-de-açúcar, acabam não sendo considerados. Isto sem contar que a pesquisa considerou apenas as internações. A questão é que a maior parte dos atingidos por problemas de saúde ocasionados pela poluição atmosférica tem gastos com consultas e remédios, mas não chega a ser internada, o que indica que os efeitos são ainda mais alarmantes.
 

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