Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Leitura 03/08/2012



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Qualidade do ar em aviões sob suspeita
Diversos estudos realizados em todo o mundo apontam que a qualidade do ar nos aviões e preocupante e gera riscos à saúde. Aliás, essa má qualidade é considerada a principal causa problemas respiratórios e outros tipos de distúrbios para os passageiros.

Um dos vilões é a baixa umidade relativa do ar, pois em grandes altitudes o clima é muito seco. Além disso, em sua passagem pela turbina, o ar é aquecido a altas temperaturas e desidratado ainda mais.

“O grau de umidade relativa varia de acordo com o tipo de aeronave, duração do vôo, número de passageiros a bordo e com a posição ao longo da cabine de passageiros, sendo mais alto próximo aos lavatórios e cozinhas de bordo. Tipicamente, a umidade do ar se situa entre 15% a 30%, um estado de atenção, nos grandes vôos intercontinentais”, explica a presidente da Comissão de Asma da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), a Dra. Lilian Serrasqueiro Ballini Caetano.

A conseqüência é o ressecamento das mucosas, levando a irritação e inflamação local. Os passageiros podem apresentar sintomas como sede, irritação ocular e nasal.

Outro problema nas aeronaves é a baixa temperatura na cabine, já que o ar externo, em grandes altitudes, é muito frio - chega a –80°C. A baixa temperatura associada à baixa umidade relativa do ar diminui a imunidade, facilitando infecções locais como faringite, amigdalite, sinusite e pneumonia e, nas pessoas portadoras de doenças respiratórias, aumenta o risco de crises de asma, rinite e doença pulmonar obstrutiva crônica”, alerta o Dr. José Eduardo Delfini Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia. “Portanto não devem ser utilizados diuréticos e bebidas alcoólicas, pois podem potencializar este efeito”.


A Hipoxemia


O principal problema relacionado, em vôos, ao doente pulmonar é a Hipoxemia, o baixo teor de oxigênio no sangue. A pressão em uma cabine de avião simula níveis de oxigênio muito parecidos aos encontrados em altitudes que variam de 2.000 a 2.700 metros acima do nível do mar e, ou seja, a oferta do gás é baixa, o ar é rarefeito.

Desse modo, é de extrema importância medir a oxigenação do paciente quando for exposto a baixos níveis de oxigênio. Além disto, existe a característica do ar na cabine da aeronave ser mais seco ou mais frio e, das alterações de pressurização e despressurização nas aterrissagens e decolagens. “Então temos menos oxigênio por ml do ar inalado. Os indivíduos com hipoxemia crônica hiperventilam ou têm de conviver com menor oferta de oxigênio e a conseqüente doença”, pondera a dra Lilian Serrasqueiro.

Ainda segundo a especialista, existe também o problema de distensão dos gases. “Expandem-se os gases quando diminui a pressão atmosférica, e então podemos ter distensão dentro do intestino e estômago, aumentando o volume abdominal e dificultando a expansão torácica e mobilidade diafragmática”.

Não existe razão para que os indivíduos portadores de doenças respiratórias, como a asma, sejam desencorajados a viajar de avião. O mais relevante é a prevenção, tratando-se adequadamente o paciente para diminuir riscos.

“Em caso de viagens aéreas, deve-se sempre levar a medicação de manutenção e aquela orientada para uso em emergência. Para as pessoas portadoras de doenças respiratórias crônicas é fundamental a orientação de um pneumologista, pois durante o vôo os sintomas podem se agravar devido à baixa temperatura, à baixa umidade relativa do ar, e à oxigenação na altitude”, completa a Dra. Lilian Serrasqueiro.


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