Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Leitura 03/08/2012



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O malefício da queima da cana-de-açucar comprovado em estudo


O Dr. José Eduardo Delfini Cançado, da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), finalizou em 2003 uma tese de doutorado sobre o assunto, que apresentou à Faculdade de Medicina da USP. Adaptado para a forma de artigo, o estudo foi publicado na edição de maio de 2006 da revista científica Environmental Health Perpectives.

O trabalho focalizou a região de Piracicaba e baseou-se em pesquisas anteriores. Uma delas, do Dr. Márcio Arbex – ex-presidente regional da SPPT - teve como objeto de pesquisa a cidade de Araraquara, no ano de 1995, e concluiu que o aumento de partículas de fuligem (provenientes da queima da cana) era diretamente proporcional ao crescimento das inalações realizadas no Hospital São Paulo de Araraquara.

O estudo baseou-se também no estudo de uma física, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQ-USP), que coletou e analisou a composição das partículas suspensas na região de Piracicaba. Assim, tornou possível definir quanto da poluição atmosférica da cidade advém da queima de combustíveis fósseis (automóveis, principalmente), da indústria e da queima de biomassa (cana, principalmente). A análise dos dados confirmou que 75% das partículas finas provêm da queima da cana-de-açúcar.

A poluição atmosférica pode ser medida em microgramas de partículas poluentes por metro cúbico de ar. A taxa permitida pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente é 50 microgramas. A média anual calculada na região de Piracicaba foi de 56, exatamente a mesma que a da cidade de São Paulo. O dado mais alarmante, porém, é que nos seis meses da safra, a taxa, em Piracicaba, sobe para 88 e na entressafra cai para 29.

"O que fiz foi correlacionar estes dados com as internações de crianças menores de 13 anos e de idosos com mais de 65 anos por doenças respiratórias em hospitais do SUS. Estudei as duas faixas mais suscetíveis: as crianças, por ainda não terem sistema imunológico bem formado, e os idosos, por freqüentemente já apresentarem doenças de base, como bronquite, asma, enfisema pulmonar e insuficiência cardíaca", explica o Dr. Cançado. Essa análise concluiu que quando há aumento da poluição, há também aumento das internações, na seguinte proporção: a cada 10 microgramas a mais de partículas por metro cúbico há aumento de 20% nas internações.

Ainda segundo o especialista, "as pessoas já percebiam os malefícios em seu cotidiano e os médicos notavam o forte impacto da queima na saúde da população, mas não tinham uma comprovação científica".
 

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