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Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Leitura 03/08/2012



Notcias

Doena Pulmonar Obstrutiva Crnica - DPOC

Falta de política pública para enfrentar a doença faz três vítimas fatais por hora no Brasil

A terceira quarta-feira do mês de novembro, em 2006, dia 15, é dedicada ao Dia Mundial de Controle da DPOC, doença pulmonar obstrutiva crônica. De acordo com o estudo multicêntrico da América Latina de 2005, a patologia caracteriza um sério problema de saúde pública no Brasil. Diante do fato, especialistas da Sociedade Paulista de Pneumologia (SPPT) alertam para os sintomas e a importância de tratamento imediato.

A DPOC é a quinta doença mais letal do Brasil. Atinge cerca de 6 milhões de pessoas e mata, ao ano, aproximadamente 30 mil. Ou seja, faz três vítimas fatais por hora.

As estatísticas colhidas pelo Projeto Platino junto à população adulta com idade igual ou maior a 40 anos são realmente preocupantes. A região metropolitana de São Paulo, um dos campos da pesquisa, tem prevalência de 15,8%. Outro dado assustador: as mortes atribuídas à doença aumentaram 65% na América Latina na última década.

“A maior dificuldade deste quadro clínico é o desconhecimento por parte do paciente, que, na maioria das vezes, não dá importância adequada aos sintomas da doença, como tosse e falta de ar. Isto ocorre porque os pacientes, fumantes, acreditam que estes sintomas sejam normais a condição de tabagista. Tal situação tem sido fator determinante às milhares de morte por DPOC no Brasil”, explica dr. Rafael Stelmach, presidente da SPPT.

Degenerativa e incurável, a DPOC engloba um conjunto de alterações pulmonares; as mais conhecidas, a bronquite crônica e o enfisema pulmonar. É importante salientar que a patologia tem forte relação com o tabagismo, uma vez que cerca de 90% dos portadores fumam ou já fumaram.

Além do cigarro, a herança genética e a deficiência de uma enzima (alfa 1 antitripsina) responsável por bloquear o efeito de substâncias destrutivas do pulmão são apontadas como outras determinantes para o desenvolvimento da DPOC. Há fatores externos também nocivos, como a exposição à poluição, a irritantes químicos e contato excessivo com fumaça, o que inclui queima doméstica de combustível - forno à lenha em lugar mal arejado, por exemplo.

A DPOC é mais comum entre a população com idade superior aos 40 anos. Um dos grandes problemas para seu enfrentamento é a falta de informação. Muitas pessoas nem imaginam que a doença existe. Isso talvez explique o motivo de normalmente ser diagnosticada bastante tarde.

Segundo a dra. Irma de Godoy, pneumologista da SPPT e docente da Faculdade de Medicina da UNESP-Botucatu, a agravante é que também não existe nenhum programa de saúde direcionado especialmente para DPOC, como ocorre, por exemplo, no caso da asma, com a Portaria 1318.

A falta de ações públicas, inclusive no âmbito dos municípios, casada à ausência de um programa de distribuição de medicamentos, e até de oxigênio nos casos dos pacientes graves, leva cada vez mais portadores progressivamente à morte. A situação certamente seria bem diferente se houvesse mais atenção e vontade política de gestores e autoridades diversas.

A prevenção e o combate à doença pulmonar obstrutiva crônica passam, obrigatoriamente, pela consolidação de um consistente programa de antitabagismo.  “Quando o governo faz campanhas que discutem o tabagismo, ajuda no combate à DPOC. Estas campanhas funcionam É fundamental que os fumantes sejam alertados frequentemente sobre os malefícios do tabaco”, afirma Alberto Cukier, professor da Disciplina de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP.

Uma política que conscientize os cidadãos a fazer acompanhamento pulmonar constante com um médico especialista é outra ação inadiável para ampliar os índices de detecção precoce, assim como a maior oferta de aparelhos para exame de espirometria, que avaliam a capacidade pulmonar através do ar expirado.  Aliás, todas as pessoas com queixas de falta de fôlego, com falta de ar, deveriam fazer o exame, pois apenas ele define a DPOC e sua gravidade, conforme informa o dr. Stelmach.

Entretanto, isto ainda está longe de ser uma realidade do Brasil. Só para ter uma idéia, até em São Paulo, estado mais rico da Federação, há escassez de aparelhos para exame de espirometria.

A triste moral da história é que sem medicamentos, sem oxigênio e outros suportes para o combate e a prevenção à DPOC, convivemos com internações e reinternações sem qualquer efeito prático para os portadores.  E o que mais complicado, com custo extremamente elevado: em 2001, foram 230.000 internações, que consumiram nada menos do que R$ 100 milhões. Isso sem falar no custo social que é altíssimo, pois contabiliza a interrupção das atividades produtivas e sociais, além de mais e mais mortes todos os anos.

Atualmente, essa realidade começa a ser modificada a partir da iniciativa da Associação Brasileira dos portadores de DPOC (ABCDPOC). Em 2003, o presidente da entidade Manoel de Souza Machado Júnior e a dra. Maria Christina L. O. Machado, diretora clínica da ABPDPOC e coordenadora dos ambulatórios de doença pulmonar avançada/oxigenoterapia da Disciplina de Pneumologia da Unifesp/HSP/EPM e do Hospital do Servidor Estadual de São Paulo, abriram uma ação judicial em busca de programas governamentais de assistência aos pacientes. Como resultado do trabalho dessa equipe em conjunto com o promotor público dr. Reinaldo Mapelli Júnior, a Secretaria da Saúde do Estado terá de distribuir medicação e oxigênio aos pacientes.

Para adquirir o benefício, o paciente deverá ser orientado por um médico a se inscrever na ABCDPOC acessando o site www.dpoc.org.br. Neste mesmo endereço eletrônico, serão atualizadas, periodicamente, informações sobre quando e em quais locais a distribuição de medicamentos e oxigênio será iniciada pela Secretaria de Saúde em parceria com a Associação Brasileira de Portadores de DPOC.

Publicado originalmente em novembro/2006
 

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