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Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Leitura 03/08/2012



Notcias

Disseminao rpida preocupa especialistas da SPPT

Departamentos / Equipe SPPT

A gripe suína vem recebendo grande destaque na mídia pela epidemia que parece se instalar especialmente no México. Os últimos dados da Organização Mundial de Saúde atestam que 1.200 pessoas já foram contaminadas, com mais de 100 óbitos atribuídos ao vírus. “No Brasil, algumas pessoas já estão em observação, porém nenhum caso foi confirmado ainda”, destaca dr. José Eduardo Delfini Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

A gripe suína tem origem a partir da contaminação do vírus influenza A, o H1N1, que está em circulação com outro tipo viral, o chamado B. Enquanto que este circula apenas em humanos, o vírus A é transmitido entre diversos animais e, a seguir, entre os homens.

A partir de uma possível troca de material genético entre vírus influenza de homens e de animais, em um processo conhecido como "rearranjo", acontece a produção de um novo vírus híbrido, tão virulento como o da gripe aviária e tão transmissível como a gripe humana.

“Podemos considerar que a doença está em um momento embrionário, uma epidemia. Existe um monitoramento em todos os países, sobretudo no México, no Canadá e nos Estados Unidos, uma vez que a preocupação é que exista uma rápida disseminação do vírus, especialmente pela grande circulação de pessoas por diferentes regiões”, comenta dr. Clystenes Odyr Soares Silva, professor da disciplina de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo.

Transmissão e sintomas


A transmissão da doença acontece por via aérea, contato manual ou com objetos de pessoas infectadas pelo vírus. Medidas como isolamento dos focos, fechamento de escolas e locais de trabalho e a não formação de aglomerações de pessoas, como grandes conferências e eventos públicos, possuem eficácia limitada para impedir infecções humanas, mas podem retardar a propagação da pandemia.

“É bem provável que a gripe suína seja transmitida antes do surgimento de sintomas. Não há registro, no atual surto, de contaminação ocorrida pelo contato de porcos com humanos, nem pelo consumo da carne de porco, mas sim de pessoa para pessoa”, explica dr. Mauro Gomes, presidente da Comissão de Infecções Respiratórias e Micoses da SPPT.

O nível de alerta da OMS é o 4, que indica a visão da organização de um "crescimento significativo" do potencial de pandemia da doença, o que pode ser grave devido ao grande número de pessoas que podem morrer em decorrência dela.

Os sintomas da doença são semelhantes aos da gripe comum, como febre acima de 39°C, falta de apetite e tosse. Algumas pessoas com a gripe suína relatam ainda catarro, dor de garganta, náusea, vômito e diarréia. Em casos mais graves, pode ocorrer pneumonia, porém não se sabe se por consequência do vírus ou se por associação à outra bactéria.

Prevenção e tratamento

Existem no mercado medicamentos antivirais para a gripe sazonal, típica de inverno, que tratam efetivamente a doença. Eles são indicados quando o indívíduo já iniciou o quadro da gripe e de preferência, devem ser iniciados nas primeiras 24 horas, após indicação de um especialista. São duas classes de medicamentos, os adamantanes (amantadine e remantadine) e os inibidores da neuraminidase da gripe (oseltamivir e zanamivir). Diante do atual surto de gripe suína, autoridades nacionais e locais do México e dos Estados Unidos recomendam o uso de oseltamivir ou zanamivir, baseado no perfil de suscetibilidade do vírus. No Brasil o único desses medicamentos disponíveis é o oseltamivir, comercializado com o nome de tamiflu.

É possível desenvolver uma vacina contra o vírus influenza suíno, entretanto, não há perspectiva a curto prazo. São necessários pelo menos seis meses para produzir a vacina.

Por enquanto, o que se deve fazer é orientar a população sobre a importância da higiene como medida preventiva. Lavar frequentemente as mãos com água e sabão; manter uma "higiene respiratória", cobrindo a própria boca ao tossir ou espirrar; usar lenços de papel descartáveis e descartar adequadamente os lenços usados, além de manter os ambientes fechados sempre bem ventilados são as principais medidas.

O uso de máscaras pela população geral não traz um impacto considerável para retardar a transmissão, mas é indicado especialmente entre aqueles com suspeita da doença e/ou em viagem pelas regiões atingidas.

Em caso de suspeita, o paciente deve ser levado imediatamente a um serviço de saúde para avaliação médica.

Os hospitais Emílio Ribas, São Paulo – HSP / UNIFESP, e das Clínicas - FMUSP, que possuem áreas de isolamento, já se preparam para atender qualquer eventualidade relacionada à gripe suína.

Outras informações disponíveis nos sites:

Ministerio da Saúde

Centers for Disease Control and Prevention

OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em 26/04 um documento em que explica com detalhes o que, quais os sintomas e como se previnir contra a gripe suína, doença que teria sido identificada pela primeira vez no México.

Tire duas dúvidas:

O que é gripe suína?

A gripe suína ou gripe porcina é uma doença respiratória altamente contagiosa e aguda que aflige os porcos, causada por um entre os diversos vírus suínos de Influenza Tipo A. A incidência tende a ser elevada e a mortalidade baixa (entre 1% e 4%). O vírus é difundido entre os porcos por aerossóis e contato direto e indireto, e existem porcos portadores assintomáticos. Os surtos entre os porcos acontecem ao longo de todo o ano, com incidência ampliada no verão e inverno, nas zonas temperadas. Muitos países vacinam as populações de porcos rotineiramente contra a gripe suína.

Os vírus da gripe suína são mais comumente do subtipo H1N1, mas outros subtipos também estão em circulação na população de porcos (entre os quais o H1N2, H3N1, H3N2). Os porcos também podem ser infectados por vírus da gripe aviária e vírus da gripe sazonal humana, além dos vírus de gripe suína. O vírus suíno H3N2, ao que se acredita, foi originalmente introduzido nas populações porcinas pelo contato com os seres humanos.

Os porcos ocasionalmente podem estar infectados com mais de um vírus ao mesmo tempo, o que acarreta a possibilidade de que os genes desses diferentes vírus se misturem. Isso poderia resultar em um vírus de gripe que contenha genes originários de diversas fontes, o que é definido como um vírus "recombinante". Ainda que os vírus da gripe suína normalmente sejam específicos da espécie e apenas infectem porcos, ocasionalmente cruzam a barreira entre espécies e podem causar a doença a seres humanos.

Quais são suas implicações para a saúde humana?

Surtos e infecção esporádica de seres humanos por gripe suína foram reportados ocasionalmente. Em geral, os sintomas clínicos são semelhantes aos da gripe sazonal, mas as formas de apresentação clinicamente reportadas variam amplamente, de infecções assintomáticas a severa pneumonia que pode resultar em morte.

Já que a apresentação clínica típica da infecção por gripe suína em seres humanos se assemelha à gripe sazonal e a outras infecções agudas do aparelho respiratório superior, a maior parte dos casos foram detectados por acaso, por meio de sistemas de vigilância contra a gripe sazonal. Casos amenos ou assintomáticos podem ter escapado a detecção, e portanto não se conhece ao certo a dimensão que essa doença atinge entre os pacientes humanos.

Onde já ocorreram casos humanos?

Desde a implementação da norma IHR(2005), em 2007, a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi notificada sobre casos de gripe suína pelos Estados Unidos e pela Espanha.

Como as pessoas são infectadas por ela?
As pessoas em geral contraem a gripe suína de porcos infectados; no entanto, alguns dos casos humanos não envolviam uma história de contato com porcos ou ambientes nos quais porcos pudessem ter estado presentes. Ocorreram alguns casos de transmissão direta entre seres humanos, mas eles estão limitados a ambientes de estreito contato e a grupos isolados de pessoas.

É seguro comer carne de porco e derivados?
Sim. Não existem indicações de que a gripe suína seja transmissível a pessoas que consumam carne de porco devidamente manuseada e preparada, ou outros derivados de carne de porco. O vírus da gripe suína é morto pelas temperaturas normais de cozimento, da ordem de 70 graus, que correspondem à orientação normal quanto ao preparo de carnes, de porco ou outras.

Que países já foram afetados pela doença?

A gripe suína não é uma doença de notificação obrigatória sob as normas da Organização Mundial da Saúde Animal (www.oie.int), e portanto sua distribuição internacional não é bem conhecida. A doença é considerada endêmica nos Estados Unidos. Surtos entre porcos também já aconteceram na América do Norte e do Sul, Europa (incluindo Reino Unido, Suécia e Itália), África (Quênia) e em certas porções do leste asiático, entre as quais China e Japão.

E quanto ao risco de uma pandemia?
É provável que a maioria das pessoas, especialmente aquelas que não têm contato regular com porcos, não sejam imunes aos vírus da gripe suína que poderiam prevenir uma infecção viral. Caso o vírus suíno venha a estabelecer um percurso de transmissão eficiente de humano a humano, poderia causar uma pandemia de gripe.

O impacto de uma pandemia causada por vírus como esse é difícil de prever: depende da virulência do vírus, da imunidade existente entre as pessoas, da proteção cruzada por meio de anticorpos adquiridos com as infecções sazonais de gripe, e de fatores de hospedagem. Os vírus da gripe suína podem gerar um vírus híbrido, pela combinação com o vírus da gripe humana, e isso também poderia causar uma pandemia.

Existe vacina humana que proteja contra a gripe suína?
Não. Os vírus da gripe mudam com grande rapidez e a equivalência precisa entre a vacina e os vírus em circulação é muito importante para oferecer imunidade protetora adequada às pessoas vacinadas. É por isso que a OMS precisa selecionar vírus para vacinas duas vezes ao ano, como forma de proteção contra a gripe sazonal ¿uma no inverno do hemisfério norte e outra no inverno do hemisfério sul.

As atuais vacinas contra a gripe sazonal produzidas com base em recomendação da OMS não contêm vírus de gripe suína. Não se sabe se as vacinas sazonais podem oferecer proteção cruzada contra infecção por vírus de gripe suína nos Estados Unidos e no México. A OMS está trabalhando em estreito contato com suas instituições parceiras para desenvolver novas recomendações sobre o uso da vacina contra a gripe sazonal na prevenção da infecção por gripe suína. Esta seção será atualizada à medida que surgirem novas informações.

Que remédios estão disponíveis para tratamento?
Remédios antivirais para gripe sazonal estão disponíveis em alguns países, e previnem e tratam a doença de maneira efetiva. Existem duas classes de medicamentos como esses: os adamantanes (amantadine e remantadine) e os inibidores da neuraminidase da gripe (oseltamivir e zanamivir).

Na maioria dos casos anteriormente reportados de gripe suína, os pacientes se recuperaram plenamente da doença sem requerer atenção médica e sem medicamentos antivirais.

Alguns vírus de gripe desenvolvem resistência a medicamentos antivírus, o que limite a eficácia da profilaxia química e do tratamento. Vírus obtidos de recentes casos humanos de gripe suína nos Estados Unidos se provaram sensíveis ao oseltamivir e ao zanamivir, mas resistentes ao amantadine e remantadine.

Não existem informações suficientes para fazer recomendações quanto ao uso de antivirais na prevenção e tratamento de infecções por gripe suína. Os clínicos precisam tomar decisões com base em avaliações clínicas e epidemiológicas, e no custo/benefício da profilaxia/tratamento do paciente.

No que tange ao atual surto de infecção por gripe suína no México e Estados Unidos, as autoridades nacionais e locais estão recomendando o uso de oseltamivir ou zanamivir para tratamento e prevenção da doença, com base no perfil de suscetibilidade do vírus.

O que devo fazer se estou em contato regular com porcos?
Ainda que não existam claras indicações de que os casos humanos atuais de infecção por gripe suína estejam relacionados a eventos de doenças assemelhadas à gripe em porcos, seria aconselhável minimizar o contato com porcos doentes e reportar esses animais às autoridades de saúde relevantes.

A maior parte das pessoas é infectada por meio de contato prolongado e próximo com porcos infectados. Boas práticas higiênicas são essenciais em todos os contatos com animais e especialmente importantes durante o abate e manuseio pós-abate, a fim de impedir exposição a agentes patológicos. Animais doentes ou animais que morreram de doenças não devem ser submetidos a procedimentos de abate. As recomendações das autoridades nacionais de saúde devem ser seguidas.

Não há prova de que a gripe suína seja transmissível a pessoas que comam carne de porco e outros derivados porcinos devidamente manuseados e preparados. O vírus da gripe suína é morto por temperaturas de cozimento da ordem de 70 graus, que correspondem aos métodos normais de cozinhar carnes, de porco e outras.

Como posso me proteger contra infecção por gripe suína devido a contato com pessoas contaminadas?
No passado, as infecções humanas por gripe suína eram em geral amenas, mas se sabe que elas já causaram diversas doenças, como a pneumonia. Para os atuais surtos nos Estados Unidos e México, porém, o quadro clínico se provou diferente. Nenhum dos casos confirmados nos Estados Unidos sofria da forma severa da doença e os pacientes se recuperaram dela sem recorrer a cuidados médicos. No México, alguns pacientes supostamente sofrem da variedade severa da doença.

Para se proteger, siga as práticas preventivas normais contra a gripe: Evite contato próximo com pessoas que pareçam doentes, com febre e tosse. Lave as mãos com água e sabão, frequente e cuidadosamente. Pratique hábitos de boa saúde, entre os quais dormir devidamente, comer alimentos nutritivos e se manter ativo fisicamente.

Se houver alguém doente em sua casa:

- Tente manter a pessoa em uma seção separada da casa; caso isso não seja possível, mantenha o paciente a pelo menos um metro de distância dos demais moradores.

- Cubra o nariz e a boca ao prestar assistência ao doente. Máscaras podem ser adquiridas comercialmente ou improvisadas com materiais facilmente disponíveis, desde que sejam jogadas fora ou lavadas devidamente.

- Lave suas mãos com água e sabão, cuidadosamente, depois de cada contato com a pessoa doente.

- Tente melhorar o fluxo de ar na área em que a pessoa doente está acomodada. Use portas e janelas para aproveitar as brisas.

- Mantenha um ambiente limpo, com produtos de limpeza domésticas comuns.

- Caso você viva em um país onde a gripe suína afetou seres humanos, siga as recomendações adicionais das autoridades locais de saúde.

O que devo fazer se acredito estar sofrendo de gripe suína?
Se você não se sente bem e apresenta febre alta, tosse e/ou dor de garganta: - Fique em casa e afastado do trabalho, da escola ou de lugares movimentados, na medida do possível.

- Repouse e consuma muitos fluidos.

- Cubra a boca e o nariz com lenços descartáveis ao tossir ou espirrar, e jogue fora cuidadosamente os lenços de papel usados.

- Lave as mãos com água e sabão cuidadosa e frequentemente, especialmente depois de tossir ou espirrar.

- Informe sua família e amigos sobre a doença, e peça ajuda para tarefas caseiras que requerem contato com terceiros, por exemplo ir às compras.

Caso você precise de cuidados médicos:

- Contacte seu médico ou serviço de saúde antes de ir ao local, e informe-os sobre os sintomas. Explique por que imagina estar com gripe suína (por exemplo, por conta de uma viagem recente a um país no qual haja surto humano de gripe suína). Siga as recomendações de tratamento que receber.

- Se não puder contactar o serviço de saúde com antecedência, comunique sua suspeita de que está sofrendo de gripe suína assim que chegar ao local.

- Mantenha o nariz e a boca cobertos durante o percurso até lá.
 

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