Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Museu da Tuberculose - A conferência de Koch: uma noite inesquecível 03/08/2012



Museu da Tuberculose - A conferência de Koch: uma noite inesquecível


Escrito por Mauro Gomes
Mestre em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Professor Instrutor de Ensino da Disciplina de Pneumologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

Era a noite de 24 de março de 1882. O médico alemão Robert Koch iniciou sua conferência relembrando o público das terríveis estatísticas sobre a tuberculose: esta deveria ser considerada como a mais importante das mais importantes doenças infecciosas pelo número de mortes que provocava. Nesta época, uma em cada sete pessoas morria por causa da tuberculose.

Considerada por muitos como a conferência mais importante de toda a história da medicina, Robert Koch foi inovador e inspirado ao levar para a tribuna praticamente seu laboratório inteiro: microscópios, tubos de ensaio com culturas, lâminas de microscópio, corantes, reagentes, amostras de tecido e tudo o mais necessário ao convencimento da audiência. Ele queria que todos checassem seus achados com seus próprios olhos.

Koch mostrou tecidos dissecados de cobaias infectadas com material tuberculoso extraído de pulmões de macacos, cérebro e pulmões de humanos que morreram vitimados pela doença, massas caseosas de pulmões cronicamente doentes e cavidades abdominais de gado infectado.

Em todos os casos apresentados, a doença desenvolvida pelas cobaias e a cultura da bactéria foi a mesma. Paul Ehrlich, que em 1908 seria laureado com o Nobel de Medicina, estava presente e confessou que “esta noite foi a mais importante experiência de toda minha vida científica!”.

Quando Koch terminou a apresentação da sua descoberta - o Micobacterium tuberculosis -, o causador da tuberculose, houve um completo silêncio na platéia. Nenhuma questão, nenhuma congratulação, nenhum aplauso. Todos pareciam atordoados. Lentamente todos se levantaram e dirigiram-se aos microscópios para ver a bactéria com seus próprios olhos.

Rapidamente a notícia se espalhou. Os resultados foram publicados na Alemanha em 10 de abril, no “The Times” inglês no dia 22 de abril e no “The New York Times” no dia 3 de maio. Robert Koch tornara-se então famoso e tornou-se conhecido como o “Pai da Bacteriologia”. No entanto, somente em 1905, e após 55 nomeações ao Prêmio Nobel, foi reconhecido com o prêmio “por suas investigações e descobertas em relação à tuberculose”.

Referências bibliográficas:
Robert Koch and Tuberculosis. Acessado em 25/11/2005.

Mauro Gomes é professor da disciplina de pneumologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

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