Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Museu da Tuberculose - Clemente da Cunha Ferreira: o fundador 03/08/2012



Museu da Tuberculose - Clemente da Cunha Ferreira: o fundador

 
Maria Teresa Ortega Garcia

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fernando Augusto Fiúza de Melo
Doutorado em Medicina (Pneumologia) pela Universidade Federal de São Paulo
Médico do Instituto Clemente Ferreira


Clemente da Cunha Ferreira, nasceu em Rezende, estado do Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1857 e formou-se em Medicina em 1880, também no Rio de Janeiro. Em sua tese de conclusão do Curso de Medicina, defendida no mesmo ano de sua formatura, já escolheu como tema a Tuberculose. Sua tese se intitulava: “Phtisica Pulmonar”, doença que na época vitimava milhares de pessoas, a qual se dedicaria até o último dia de sua vida.

Durante seis anos foi diretor da Santa Casa de Misericórdia de Rezende, no período de 1881 a 1887. A seguir, no Rio, passou a chefiar a Clínica de Moléstias de Crianças. Médico Sanitarista atuou em vários campos da Saúde Pública no Rio de Janeiro e depois em Campinas e Rio Claro, onde foi designado para participar em 1889, da luta contra a febre amarela que assolava essas duas cidades paulistas. Seu trabalho foi tão notável que ele foi homenageado com a medalha de ouro da Câmara Municipal,como gratidão do povo paulista. Recebeu também a Comenda de Oficial da Ordem da Rosa, concedida pelo Imperador D. Pedro II.

Durante o restante de sua jornada na luta contra a Tuberculose recebeu várias Homenagens de autoridades ilustres como do Presidente da República Eurico Gaspar Dutra, dois anos após sua morte.Finalmente, em julho de 1899, funda em São Paulo, a “Associação Paulista de Sanatórios Populares para Tuberculosos”; depois chamada de “Liga Paulista contra a Tuberculosa” e a partir daí passa a dedicar-se exclusivamente à Tuberculose. Em 1902, fundou a revista “Defesa contra a Tísica” da Associação Paulista de Sanatórios Populares e através dela começou sua luta para conscientizar a população e as autoridades sanitárias sobre a magnitude da tuberculose.

Com um grupo de dedicados colaboradores e auxiliado por uma subvenção municipal, conseguiu abrir, em São Paulo, o primeiro dispensário para o tratamento e profilaxia das moléstias pulmonares. O dispensário, localizado à Rua Libero Badaró, foi batizado por seus colaboradores com seu nome e na grande festa de inauguração, em 14/07/1904, compareceu o Governador da época, o Dr. Jorge Tibiriçá. Começava aí sua luta ferrenha contra a peste branca.

Em 1908, lança a pedra fundamental do Dispensário Modelo na Rua da Consolação, concluído em 1913, local em que até o final de sua vida seria o campo de atuação de seu fundador. Durante toda a sua vida lutou bravamente, tentando despertar a consciência sanitária da Tuberculose quer seja nas críticas aos governantes para que medidas eficientes fossem tomadas, ou tomando ele próprio medidas como campanhas com o apoio da “Liga Paulista Contra a Tuberculose” da qual era presidente.

Enfrentou também a oposição dos moradores daquele bairro, que pregavam abertamente os malefícios que adviriam da localização do dispensário em bairro aristocrático como aquele. Recebeu até uma carta anônima ameaçando-o de morte e de incendiar o prédio, mas a reação serenou-se com a intervenção da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e do Rio de Janeiro, além da Academia Nacional de Medicina, que emitiram pareceres favoráveis à instalação do dispensário naquele local.

No final de sua vida, recebeu também a homenagem de Doutor “honoris causa” pela Escola Paulista de Medicina. Com a visão sanitária e sendo um médico de formação clínica, o Dr. Clemente Ferreira se preocupava com as doenças transmissíveis como a Tuberculose não só na abordagem médica da mesma, mas também em seu processo social, epidemiológico. Enfatizava a profilaxia da doença, a melhoria das condições sanitárias numa época onde o isolamento do paciente era a única medida disponível.

Seu espírito incansável, sua garra, seu enorme conhecimento e sua habilidade com vários idiomas lhe permitiram que morresse o mundo todo em busca do que havia de mais moderno sobre o controle da doença. Tudo que obtinha de novo aplicava no Instituto Clemente Ferreira.

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