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Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Museu da Tuberculose - Sanatorinhos: 75 anos de atendimento à população brasileira 03/08/2012



Museu da Tuberculose - Sanatorinhos: 75 anos de atendimento à população brasileira


Moacyr Walter de Souza
Economista, Presidente do Conselho Deliberativo


A organização brasileira Sanatorinhos – Ação Comunitária de Saúde completou 75 anos de existência no dia 16 de janeiro de 2006, acrescentando mais um capítulo em sua longa história a serviço da saúde da população brasileira.

A origem da entidade está ligada de forma marcante aos princípios de solidariedade que regem a humanidade em seus momentos mais difíceis e na sua luta pela sobrevivência. Entre as doenças que historicamente acompanham o ser humano, desde que o mundo é mundo, a tuberculose sempre foi temida pelo alto grau de morbidade.

Por volta dos anos 30, a doença grassava com intensidade pelo mundo e as pessoas atacadas pela enfermidade, na maioria dos casos fatal, buscavam por todos os cantos um local que representasse a salvação de sua vida. As classes mais abastadas da Europa abrigavam-se em regiões montanhosas dos países, como os Alpes Suíços, onde, acreditavam, o ar puro da altitude ajudava a combater a doença.

No Brasil, a cidade de Campos do Jordão, a 1.628 metros de altitude e a 167 quilômetros da capital de São Paulo, próxima às divisas de Rio de Janeiro e Minas Gerais, e já conhecida como a Suíça brasileira, pelo excelente clima semelhante ao do país europeu, tornou-se um reduto no combate à tuberculose. Mas, pelos altos custos dos sanatórios que ali eram construídos, apenas as pessoas ricas tinham acesso à internação.

Ante a possibilidade de cura, passou a crescer o número de pessoas carentes que chegavam à cidade, desejosas – e inconformadas – de ter uma oportunidade de tratamento. Sem recursos, não eram atendidas e ficavam desamparadas, encontrando como único abrigo a estação ou os vagões da estrada de ferro Campos do Jordão – Pindamonhangaba, mas muitas não resistiam às noites frias e vinham a falecer. Diante do problema que se agravava, o chefe da estação ferroviária Sebastião Gomes Leitão levou o fato a alguns milionários que freqüentavam a cidade. Sensibilizados com a situação, 14 deles decidiram criar uma sociedade beneficente e, num dia histórico, 16 de janeiro de 1931, reuniram-se numa padaria da cidade e, num papel de embrulhar pão, escreveram à mão a ata de fundação da Associação dos Sanatórios Populares de Campos do Jordão.

Estavam presentes a essa reunião nomes ilustres como os drs. Antonio Gavião Gonzaga, Aristides de Souza Melo, Clóvis Corrêa, Décio Queirós Teles, Eduardo Levy, Floriano Pinheiro, José Torres, Marco Antonio Nogueira Cardoso, Nestor Ferreira da Rocha, Plínio da Rocha Mattos, Raphael de Paula Souza, Sr. Orivaldo Lima Cardoso e Sra. Maira Emília Sampaio Camargo, esta eleita para presidir a entidade no biênio 1931/1932.

Essa origem, sem ostentação, nortearia toda a história de filantropia da entidade, que notabilizou-se, através dos anos, pela crescente e notável dedicação ao ser humano.

Onze meses depois, em 22 de novembro do mesmo ano, era inaugurado o Hospital S1 com 24 leitos, todo em madeira, nos moldes e estilo dos sanatórios europeus. Uma construção simples, mas que oferecia conforto e atendimento de qualidade, sem qualquer custo para o paciente. Mais tarde ampliado, o S1 chegou a ter 40 leitos.

Dois anos depois foi construído um hospital bem maior, em madeira e alvenaria, aberto em 15 de novembro de 1933, com capacidade para 80 leitos, aumentada para 180 nos anos seguintes.

O nome Sanatorinhos surgiu do dito popular. Quando alguém dizia que estava indo internar-se no hospital Sanatórios Populares, geralmente ouvia, em tom de ironia: “Ah, você vai para o Sanatorinhos”.

Mas a preocupação da sociedade beneficente não era o nome e, sim, a qualidade do atendimento.

Os médicos do grupo viajavam freqüentemente à Europa, principalmente Espanha e Itália, e aos Estados Unidos, para atualizar-se com os métodos mais modernos de tratamento. Na volta, levavam os novos conhecimentos a médicos de outros hospitais e faculdades e eram requisitados para palestras por todo o país. Assim, a qualidade do atendimento ao paciente logo tornou-se conhecida e o nome Sanatorinhos passou a ser respeitado e admirado como sinônimo e exemplo em cultura, qualidade e filantropia, sendo adotado oficialmente pela instituição que passou a Sanatorinhos – Ação Comunitária de Saúde.

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