Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Museu da Tuberculose - Hospital do Mandaqui 03/08/2012



Museu da Tuberculose - Hospital do Mandaqui


Gladstone Ferreira Machado
Especialista em Cirurgia Torácica pela SBCT
Membro Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões
Fellow do Americam College of Chest Physicians

O Dr. Gladstone Ferreira Machado trabalhou durante 35 anos no Hospital do Mandaqui, no Serviço de Cirurgia, (1958-1993) sendo Chefe desse Serviço por 12 anos, tendo  acompanhado as fases de sua evolução e história.

O Hospital do Mandaqui foi inaugurado em 1º de dezembro de 1938, inicialmente com três pavilhões, para 86 leitos, destinados ao tratamento de pacientes tuberculosos, pelo Interventor de São Paulo, Dr. Ademar de Barros. Entre as autoridades que compareceram deve-se ressaltar a presença do Presidente Getúlio Vargas, que se encontrava em visita à capital paulista.

No ano seguinte chegava a 180 leitos, após a inauguração do Anexo Leonor Mendes de Barros, completando-se em 1950, com o término do moderno núcleo central, chamado Hospital Miguel Pereira, quando sua lotação atingiu 446 leitos. A seguir, o governo do Estado incorporou a Chácara Cristofell, da família alemã que residia nas imediações, ampliando sua área.

Sua localização ficava, naquela época, no distante bairro da capital chamado Mandaqui, região norte, daí advindo o nome pelo qual ficou conhecido. Era o maior sanatório para tratamento e referência da tuberculose no Estado de São Paulo, que contava também com os sanatórios da cidade de Campos do Jordão, notadamente os hospitais conhecidos como Sanatorinhos (S1-S2-S3) devendo-se mencionar ainda o Vicentina Aranha, em São José dos Campos, tido como o primeiro Sanatório do Estado (1924).

No Brasil daquela época os índices de mortalidade e morbidade da tuberculose eram alarmantes. Na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, o coeficiente de mortalidade chegava a 184,8 por 100.000 habitantes; em São Paulo as cifras eram semelhantes e nas regiões Norte e Nordeste do país, a média atingia a impressionante taxa de 250 por 100.000 habitantes. Constituía um grave problema de saúde pública, sendo criadas Entidades oficiais para a luta contra a tuberculose e campanhas de âmbito nacional num esforço comum para a construção de sanatórios. Tal a importância da doença, que nessa época criou-se a Cadeira de Tisiologia no curso de graduação médica.

A tuberculose era, portanto uma calamidade, conhecida desde tempos imemoriais (Hipócrates já a descrevera no séc.V AC, chamando-a de Tísica, pelo seu aspecto consumptivo), atravessou toda Idade Média, imbatível e devastadora, chegando mortífera ao século XIX, acometendo indistintamente pobres e ricos, mais ainda os jovens, e muitos seguiram inexoravelmente o destino da Dama das Camélias. No ano alvissareiro de 1882, houve duas descobertas importantes: Robert Koch descobriu o bacilo causador da doença e Forlanini criou o pneumotórax artificial, de larga aplicação para a cura da caverna tuberculosa, ao promover o colapso temporário do pulmão. A partir dele surgiu a colapsoterapia definitiva com as toracoplastias, plumbagens e frenicotomias, visando o fechamento das cavernas.

Todo esse quadro só mudaria drasticamente no inicio da década de 1950, com o advento da quimioterapia específica, que modificou o prognóstico e evolução da doença tuberculosa, facilitando sua prevenção.

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