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Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Museu da Tuberculose - Hospital do Mandaqui (Primeira fase) 03/08/2012



Museu da Tuberculose - Hospital do Mandaqui (Primeira fase)


Primeira fase (1938 - 1960)

Gladstone Ferreira Machado
Especialista em Cirurgia Torcica pela SBCT
Membro Emrito do Colgio Brasileiro de Cirurgies
Fellow do Americam College of Chest Physicians


O Dr. Gladstone Ferreira Machado trabalhou durante 35 anos no Hospital do Mandaqui, no Servio de Cirurgia, (1958-1993) sendo Chefe desse Servio por 12 anos, tendo acompanhado as fases de sua evoluo e histria.


Na primeira fase do Mandaqui (1938 - 1960), devemos referir alguns fatos significativos em seu histrico como a vinda das Irms de caridade da Congregao de Santa Madalena de Postel, com sede geral em Westfallia, na Alemanha e sede provincial na cidade de Leme, So Paulo. Elas assumiram e organizaram a enfermagem, incipiente naquela poca, trazendo valiosa colaborao administrativa e disciplinar. Tivemos a felicidade de conviver com algumas delas, notadamente Irm Maria e Irm Eugnia, que permaneceram por mais de 50 anos no Mandaqui.

Tambm, nessa ocasio, a criao da Caixa Beneficente, rgo subordinado e anexo Administrao, que prestava auxlios aos pacientes, principalmente aos egressos (assim chamados os doentes que tinham alta mdica, curados, e alguns deles, sem casa e sem emprego, recebiam da Caixa a devida orientao e ajuda).

O Mandaqui teve grande influncia na formao dos primeiros cirurgies em So Paulo, devendo-se citar o Dr. Eduardo Etzel, cirurgio tecnicamente hbil, Prof. Livre Docente pela USP que foi chefe da cirurgia, Dr.Alberto Chap Chap, cirurgio conceituado, tendo desenvolvido o servio de broncoscopia, quela poca feita com o broncoscpio rgido, Dr. Gabriel Botelho, que tambm ocupou a chefia da cirurgia na dcada de 50. A equipe cirrgica contava com dois jovens mdicos, Drs. Alberto Adde e Maurcio Aied, de So Paulo, recm chegados de um estgio na Itlia (em Npoles, no Servio do Prof. Monaldi) que deram sua valiosa contribuio durante muitos anos ao Mandaqui.

O movimento cirrgico era grande, com operaes quatro vezes por semana, reservando-se as sextas-feiras para a reunio de apresentao e discusso de casos. Os procedimentos maiores eram toracoplastias, cavernostomias, Jacobeus, plumbagens, alm de bipsias, frenicotripsias cervicais e drenagens pleurais. As resseces pulmonares, como em outros centros (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre) na dcada de 40 e inicio dos anos 50 eram de alto risco, ainda se usando o chamado torniquete (ligadura em massa, com elstico, do hilo pulmonar ou lobar) acarretando complicaes graves (hemorragia, fstula, infeco). Somente a partir dos anos 50, com um maior conhecimento da anatomia dos hilos pulmonares e do apoio da medicao especifica, as resseces entraram na rotina cirrgica. Era uma poca herica, com ndices elevados de complicaes ps-operatorias e intercorrncias, pois no se contava com UTI, sondas bronco-seletivas, provas funcionais, a anestesia para cirurgia torcica ainda era incipiente e a aparelhagem primitiva.

O Mandaqui costumava receber a visita de cirurgies que vinham para estgios, assistir operaes, cursos, ministrar conferncias. Entre tantos outros, citemos de passagem os Drs. Euriclides Zerbini, Cmara Lopes, Nairo Frana Trench, Ugo Pinheiro Guimares (Rio de Janeiro), Joaquim Cavalcanti (Recife), etc. Uma referncia ao Prof. Terence Crafoord, da Sucia (Estocolmo), que na dcada de 50 visitou o Brasil (Rio e So Paulo) tendo feito uma palestra e demonstrao cirrgica, com sua equipe, no Hospital do Mandaqui.

Nessa primeira fase do Mandaqui, a grande maioria das internaes era de casos clnicos ainda sendo muito usado o pneumotrax artificial, teraputico. Havia uma enfermaria de patologia pleural, com 60 leitos, a maioria empiema. Entre os muitos tisiologistas, citemos o Dr. Mozar Tavares de Lima, mdico j com projeo na especialidade, que fz sua tese de Livre-Docncia, em fins da dcada de 50 (Pulmo opaco na criana), com casos do Anexo Leonor Mendes de Barros, pavilho com 120 leitos, adaptado para crianas tuberculosas. Lembremos o Prof. Rodolpho de Freitas, responsvel pela urologia, o Dr. Carlos Comenale Jr, conceituado tisiologista, que ocupou o cargo de diretor durante muitos anos, os Drs. Padula, Alceste Gurgel Batista, anestesista, o Dr, Alfredo Cabral (otorino), os Drs. Mario de Melo Faro e Joo Batista Perfeito, jovens tisiologistas de excelente formao que iniciaram suas atividades mdicas no Mandaqui e, entre os pediatras, seja lembrado, como pessoa e profissional, o Dr. Jos Carlos Silveira.


O Hospital do Mandaqui

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