Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Museu da Tuberculose - A Tisiologia e a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo 03/08/2012



Museu da Tuberculose - A Tisiologia e a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

Péricles Alves Nogueira
Doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo
Livre Docência pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de S Paulo
Professor Associado da Universidade de São Paulo

Segundo o Centro de Documentação Histórica da Faculdade de Saúde Pública/ USP, a origem da Escola de Saúde Pública de São Paulo prende-se ao “Laboratório de Higiene”, criado em 1918, pelo convênio firmado entre o Governo do Estado de São Paulo e a “International Health Board”, da Fundação Rockefeller, e que funcionou como Cadeira da Faculdade de Medicina. O primeiro titular da Cadeira foi o Professor Samuel Taylor Darling, que lançou as bases do ensino de Higiene no Brasil. Em 1922, assumiu a direção da Cadeira o Professor Geraldo Horácio de Paula Souza que, juntamente com o Doutor Francisco Borges Vieira, diplomara-se na primeira turma da Escola de Saúde Pública da Universidade de John Hopkins, nos Estados Unidos da América (1919-1920).

Em 1924, o Governo do Estado assumiu todos os encargos do Departamento de Higiene, oficializando-o a partir de 1925. Assim, o Departamento adquiriu autonomia, deixando de ser dependência direta da Faculdade de Medicina e passando a denominar-se “Instituto de Higiene de São Paulo”. Neste mesmo ano, foi instalado o primeiro Centro de Saúde do país, anexo ao Instituto de Higiene, considerado um centro modelo de aprendizado para os profissionais da saúde pública.

Desde o início, o Instituto de Higiene de São Paulo preocupou-se com o ensino e a pesquisa da tuberculose. Em 1930, o Instituto contratou o Dr. Raphael de Paula Souza que estava regressando do Curso de Aperfeiçoamento em Tisiologia, da Faculdade de Medicina de Paris, ministrado pelo Prof. Leon Bernard. O Professor Paula Souza tomou para si a responsabilidade do ensino prático e teórico da tuberculose, nos cursos de Especialização em Higiene e Saúde Pública do Instituto e no atendimento aos doentes no Centro de Saúde daquela Instituição de Ensino, iniciando assim sua grandiosa carreira como um dos mais importantes e respeitados Tisiologistas do Brasil.

No ano de 1934 criou e coordenou a “Área Dispensarial do Instituto de Higiene”, uma das pioneiras no atendimento integral ao doente tuberculoso e no ensino da Tisiologia.

No ano de 1938, o Prof. Raphael de Paula Souza foi nomeado Professor Assistente da Clínica do Instituto de Higiene de São Paulo, ano em que este Instituto foi incorporado à Universidade de São Paulo. Posteriormente, foi professor catedrático de Tisiologia da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Instituto de Saúde e Serviço social, anexo à Cátedra de Tisiologia da Faculdade de Higiene.

Em 1945, o Instituto transformou-se em Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo e a Área Dispensarial passou a ser denominada “Dispensário de Tuberculose do Centro de Aprendizado Urbano”. Neste mesmo ano, o Dr. Raphael passou a professor catedrático de Tisiologia, tendo sido diretor desta mesma Faculdade nos períodos de 1953 a 1959 e de 1961 a 1962. Organizou, ainda, o Serviço de Inspeção de Saúde de estudantes e funcionários da USP, onde era responsável pela Área de Pneumologia. Posteriormente, este Serviço transformou-se em Instituto de Saúde e Serviço Social da Faculdade de Higiene e Saúde Pública, tendo o Dr. Raphael assumido a sua direção.

Nas décadas de 40, 50 e 60, do último século, vários tisiologistas formaram-se nos cursos de aperfeiçoamento da Faculdade de Higiene, que contava com renomados professores como Diógenes Augusto Certain, Hermelindo Herbster Gusmão, Newton Ferraz, Rodolfo dos Santos Mascarenhas, Geraldo Salomon, Roberto Brólio, entre outros.

O Ministério da Saúde, no ano de 1968, durante a Campanha Nacional de Controle da Tuberculose, sentindo a necessidade de padronizar a aplicação e leitura do teste tuberculínico e também a implantação da Vacina BCG-intradérmica, trouxe ao Brasil, com o auxílio da Organização Mundial da Saúde, a Enfermeira Britta Sundin, do “Serum Institut” de Copenhague, com a missão de treinar e padronizar enfermeiras e educadoras de saúde na “Técnica de aplicação e leitura do PPD e aplicação da Vacina BCG intradémica”, as quais seriam as referências e multiplicadoras desta técnica, em seus Estados de origem. No Estado de São Paulo, coube à Faculdade de Saúde Pública organizar um curso e receber a Enfermeira Sundin, que treinou e padronizou duas enfermeiras e três educadoras nesta técnica.

Após a padronização com a Enfermeira Britta, sob a supervisão dos professores Geraldo Chaves Salomon, Marília Belluomini e Stella Maria Costa Nardy, foram realizados vários treinamentos de técnicos da saúde na Técnica Padronizada de Aplicação e Leitura do Teste Tuberculínico e da Vacina BCG-intradérmica, colaborando assim na implantação desta técnica na Rede de Saúde do Estado de São Paulo.

No início da década de 70 foi assinado um convênio  entre a Prefeitura do Município de São Paulo e a Faculdade de Saúde Pública, com o objetivo de verificar a positividade tuberculínica e vacinar com o BCG os alunos ingressantes nas Escolas Públicas do Município de São Paulo. Esta pesquisa foi realizada entre os anos de 1970 a 1976 e fazia parte de um projeto do Ministério da Saúde, que mediu o risco da infecção tuberculosa no Brasil.

A Faculdade, através de seus docentes, principalmente do Prof. Gilberto Ribeiro Arantes, esteve presente e atuante na implantação do tratamento de curta duração da tuberculose e na assinatura do convênio entre a Secretaria de Estado da Saúde e o INAMPS, no ano de 1980, quando a atenção ao doente tuberculoso ficou sob a responsabilidade da Secretaria.

Desde 1967, com a implantação do Curso de Pós-Graduação na Faculdade de Saúde Pública, foram graduados 52 mestres e 24 doutores, sob a orientação dos docentes da Tisiologia, com temas ligados à luta contra esse mal.

A Área de Tisiologia, atualmente, pertence ao Departamento de Epidemiologia Faculdade de Saúde Pública/USP e o atendimento aos doentes é realizado no Centro de Saúde Escola “Geraldo Horácio de Paula Souza”, desta Faculdade. Os seus projetos de pesquisas estão focalizados, principalmente, na tuberculose em presidiários e na população em situação de rua. Mantém estreito contato com os órgãos da Secretaria de Saúde e do Ministério da Saúde, auxiliando nas atividades de luta contra essa doença e preocupa-se com o ensino do controle da tuberculose aos alunos dos diferentes cursos da Faculdade.

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